Oi pessoal!
Hoje vim fazer uma sessão #desabafo.

Certa vez fiquei indignada ao ouvir que o hábito da leitura era uma coisa solitária, mas há um tempo atrás me ocorreram duas curiosas situações que provam como livros podem aproximar pessoas.

Fonte: Google

O meu livro preferido e a coleguinha odiada.

Certo dia estava eu a caminho do ponto de ônibus para ir para casa e, assim que cheguei ao ponto percebi que o único lugar vazio para sentar era do lado de uma mocinha que trabalha no mesmo departamento que eu. Eu torci o nariz porque nunca fui com a cara dela, apesar de cruzar com ela nos corredores quase todo dia. Sabe quando você não vai com a cara da pessoa, mesmo sem conhece-la? Então... Nunca troquei nada além de "Oi", "Bom dia" com ela, mas sempre achei que ela tinha uma carinha de nojo. Mas, já que aquele era o único lugar disponível e o ônibus ainda demoraria uns 15, 20 minutos, coloquei meus fones de ouvido para não ser obrigada a puxar papo com ninguém e fui me sentar do lado da coleguinha.

Eis que, quando me sentei, vi que ela estava toda concentrada em um livro e, como leitora curiosa que sou, fui logo tentar descobrir que livro era. Qual não foi a minha surpresa quando descubro que ela estava lendo nada menos que "Comer, Rezar, Amar", vulgo meu livro preferido ever? Na hora me espantei. Como uma pessoa como ela podia ter um gosto tão bom para leitura? Vai ver ela não é tão chatinha quanto eu imaginei que fosse. Aí fiquei eu lá tentando descobrir que parte do livro ela estava, quando a mocinha virou pra mim e me pegou no flagra pescoçando a leitura dela. Na hora gelei, fiquei super sem graça e já ia dar aquele sorrisinho torto quando...

Ela: Ah, oi! É você. Eu estava tão concentrada no livro que nem vi você chegar aqui.

Eu: Que isso. Eu entendo. Esse livro é demais mesmo. A gente não consegue largar, né?

Ela: Exatamente! Eu nunca fiquei tão ligada num livro como estou nesse. Parece que a Liz escreveu o livro pra mim, como se me conhecesse...

Eu: Eu tive a mesma sensação quando eu li!

~E ficamos falando sobre o livro e como ele é incrível até o meu ônibus chegar~

Moral da história: A mocinha que eu achava que era chata e irritante, não era tão chata assim. E se não fosse eu pegar ela lendo um livro que eu amo, nunca ia parar para conversar com ela, e tirar a má impressão que tinha.

A coleguinha da escola que ressurge no Facebook.

Uns dias depois da historinha acima, fui para São Paulo e chegando lá tinha um livro lindo me esperando. Tava tão ansiosa para lê-lo que fui logo tirando fotinho e postando no Instagram. E vocês sabem como é rede social né... Sempre tem aqueles seguidores que você conhece há tempos, mas não conversa há mais tempo ainda... E aí qual não foi a surpresa que na foto em questão, uma garota que estudou comigo na 8ª série (há mais de 10 anos atrás) foi comentar, falando que estava ansiosa para ler aquele livro também, que estava esperando o lançamento, não sabia que já tinha saído e etc. Eu respondi educadamente e pensei: "Nossa, nunca imaginei que fulana pudesse gostar dessa série também".

Mas aí qual não foi a surpresa que, nessa semana, abro meu facebook e tinha uma inbox da pessoa em questão me agradecendo por ater "avisado" que o livro já tinha saído, que ela já estava na metade da leitura e queria conversar com alguém sobre o livro porque tava tudo muito emocionante. Eu na hora fiquei surpresa. Estava sem falar com ela há tantos anos e de repente surge um assunto tão legal pra conversar, Eu na hora falei que ainda não tinha começado a ler o livro pra valer mas assim que o fizesse avisava. E obvio que assim que terminei de ler o livro corri pra ir discutir com ela. Por sorte ela já tinha terminado de ler também e estávamos surtadas com o final.

Moral da história: Um livro pode fazer você se reaproximar de pessoas que você não via a tempos, pessoas que fizeram parte da sua vida e que você perdeu o contato.


Então pessoal... Vamos deixar de lado essa história de que ler é uma coisa solitária. Não, não é! Além de nos fazer conhecer novas pessoas que também adoram ler, a gente acaba se aproximando de pessoas que nós conhecemos, mas que ao descobrir esse interesse em comum, acabam virando (ou voltando a ser) amigas.

E você? Tem alguma história assim? Quero saber! Conta aqui nos comentários de algum livro já te fez se aproximar de alguém, ou das amizades que você criou por causa de livros! Quero montar um post bem lindo com depoimento de vocês também, topam?
Beijos e até a próxima, pessoal!

vício 
ví.cio
sm (lat vitiu1 Defeito físico ou moral; deformidade, imperfeição. 2 Defeito que torna uma coisa ou um ato impróprios, inoperantes ou inaptos para o fim a que se destinam, ou para o efeito que devem produzir. 3 Falta, defeito, erro, imperfeição grave, viciação, viciamento. 4 Disposição ou tendência habitual para o mal. Hábito de proceder mal; ação indecorosa que se pratica por hábito. 6 Costumeira.7 Costume condenável ou censurável. 8 Degenerescência moral ou psíquica do indivíduo que, habitualmente, procede contra os bons costumes, tornando-se elemento pernicioso ao meio social, ou com este incompatível. 9 Desmoralização, libertinagem. 

abstinência 
abs.ti.nên.cia 
sf (lat abstinentia1 Ato de se abster. 2 Por excelência, privação de carne, ou caldo de carne, em cumprimento de preceito da Igreja, ou de voto especial. Jejum. 4 Castidade, continência.


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Sempre fui uma pessoa escrava dos meus vícios. Vício de música, vício de coca cola, vício de café, vício de séries, vício de café (de novo porque esse é forte!), vício de compras, vício de twitter, vícios, vícios e mais vícios. E assim como quando um corpo tem fome quando fica sem comer, quando a gente não alimenta nosso vício vem aquela abstinência braba! Umas mais leves e aturáveis que as outras, mas a bendita abstinência sempre bate.

Há alguns meses atrás minha vida virou um caos. Me atolei de coisas para fazer no meu doutorado e estou andando sem tempo pra nada, nem pra respirar direito. Foi quando esse caos começou que eu percebi que uma coisa estranha e interessante estava acontecendo comigo. Mais ou menos um mês depois de eu entrar em um ritmo frenético de trabalho, estudos, trabalho, dar aulas, e mais trabalho, fui percebendo que eu estava ficando muito "vazia". Sabe quando você sente que tá faltando alguma coisa na sua vida? Um pedacinho de você que você perdeu por ai e não sabe onde está? Então. Eu estava assim, meio triste, sentindo que estava faltando algo na minha vida. No começo achei que era por causa do trabalho. Mas logo pense que não podia ser porque eu amo demais o que eu faço e por mais cansativo que seja, tenho prazer em levantar todos os dias e ir para o meu laboratório.

Eis que então, um belo dia, cheguei em casa e fui colocar em ordem os livros da minha estante (porque eu tenho um TOC com estantes bagunçadas e a minha estava uma zona). Fiquei umas duas horas colocando tudo em seu devido lugar e quando acabei olhei para aquela estante linda e organizada e percebi que fazia uns 45 dias que eu não pegava em um livro! Na hora eu confesso que fiquei um pouco assustada porque fazia muito tempo que eu não ficava sem ler nada, sem mesmo pegar em um livro. E ai, tirei um livro da estante e fui ler um pouquinho pra lembrar como era. Quase 5 horas depois eu terminei de ler o livro que tinha começado. E foi aí que minha vida voltou a fazer sentido. Quando eu terminei de ler, eu percebi que o grande vazio que eu tava sentindo era porque eu estava sem ler há muitos dias. E eu estava sentindo falta daquela coisa maravilhosa que é ler. Eu percebi que eu era mais dependente de leitura do que eu imaginava. Percebi que o meu dia a dia super corrido estava me deixando longe de uma das coisas que mais me dá prazer, e isto estava começando a me fazer mal. E quando eu peguei aquele livro na estante pra ler, foi como se uma luz acendesse, e tudo voltasse a fazer sentido.

Vocês podem achar que eu estou exagerando. Eu mesma não conseguia acreditar que eu realmente estivesse sentindo tanta falta de ler assim. Mas eu juro, eu estava com uma abstinência de leitura.

Depois desse dia eu li mais uns dois livros e fiquei umas três semana sem ler nada. E adivinhem o que aconteceu? A abstinência voltou! Eu não consigo explicar o que me dá quando fico muito tempo sem ler, mas não é uma coisa muito legal. Mas é só eu pegar um livro qualquer que seja que tudo volta ao normal.

Essa é mais uma daquelas coisas que só quem lê demais entende. Quando você pega o habito da leitura, muitas vezes isso acaba indo além do habito e se torna um (maravilhoso e prazeroso) vício. E aí, não dá pra ficar sem.

Não interessa qual ano está acabando. É sempre as mesma coisa. A última vez no ano que eu vou ver fulano ou ciclano, o último fim de semana do ano, o último filme que eu vou ver, a última música que eu vou ouvir, a última vez, a última coisa, último, última... Tudo isso com um sentimento de que temos que aproveitar cada última vez ao máximo, porque são as últimas vezes. E isso faz com que vivamos tão intensamente esses últimos dias do ano, aproveitando cada último segundo.
E em seguida, depois da tão esperada meia noite, nossa vida se enche com as primeiras vezes e primeiras coisas do ano novo. A primeira dança, a primeira noite, as primeiras palavras, as primeiras oportunidades. E tudo parece tão novo, tão fresh, que nossos corações e nossa alma se enche de esperança como se a partir deste dia, deste novo ano nós temos todas as oportunidades do mundo na nossa frente.
Mas vocês já pararam para pensar em como seria viver como se cada dia fosse o último e o primeiro do ano? Ou das nossas vidas? Como seria viver a vida intensamente como se fosse o último dia, e como seria ter nosso coração cheios de esperanças como se fosse o primeiro dia? E quem disse que não podemos viver assim?
A passagem de ano é só uma data, um detalhe. Muda o ano, mas a nossa vida continua a mesma. A grande mudança quem faz é a gente. Nós que decidimos o que fazer para mudar, quais oportunidades correr atrás e agarrar. E porque então esperar o ano começar para mudar? Porque esperar o ano acabar para aproveitar ao máximo cada segundo? Porque não viver cada dia como se fosse o último e o primeiro?